Site da presidência do Paraguai é invadido por hackers

Site está fora do ar e caso é investigado pela procuradoria geral do país. Página invadida exibia frase “Federico Franco não poderá governar”.

O site da presidência do Paraguai foi derrubado por hackers, informou nesta quarta-feira (27) o presidente Federico Franco, que assumiu o cargo na sexta-feira (22) após o impeachment de seu antecessor, Fernando Lugo.

O incidente foi denunciado à procuradoria geral do Paraguai.

“Hackers invadiram o site da presidência e o caso já se encontra sob investigação da procuradoria”, disse o presidente Franco em coletiva de imprensa.

“Federico Franco não poderá governar” era a frase exibida na terça-feira (26) no endereço http://www.presidencia.gov.py, que está atualmente fora de serviço.

“Não pudemos publicar decretos e estamos com dificuldades de acessar o servidor”, acrescentou um funcionário da Secretaria de Informações da presidência do Paraguai, consultado pela AFP.

Crise no Paraguai

Federico Franco assumiu o governo do Paraguai na sexta-feira (22), após o impeachment de Fernando Lugo. O processo contra Lugo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos no interior do país.

A oposição acusou Lugo de ter agido mal no caso e de estar governando de maneira “imprópria, negligente e irresponsável”.

Ele também foi acusado por outros incidentes ocorridos durante o seu governo, como ter apoiado um motim de jovens socialistas em um complexo das Forças Armadas e não ter atuado de forma decisiva no combate ao pequeno grupo armado Exército do Povo Paraguaio, responsável por assassinatos e sequestros durante a última década, a maior partes deles antes mesmo de Lugo tomar posse.

O processo de impeachment aconteceu rapidamente, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do então vice-presidente Franco, retirou seu apoio à coalizão do presidente socialista.

A votação, na Câmara, aconteceu no dia 21 de junho, resultando na aprovação por 76 votos a 1 – até mesmo parlamentares que integravam partidos da coalizão do governo votaram contra Lugo. No mesmo dia, à tarde, o Senado definiu as regras do processo.

Na sexta, o Senado do Paraguai afastou Fernando Lugo da presidência. O placar pela condenação e pelo impeachment do socialista foi de 39 senadores contra 4, com 2 abstenções. Federico Franco assumiu a presidência pouco mais de uma hora e meia depois do impeachment de Lugo.

Em discurso após o impeachment, Lugo afirmou que aceitava a decisão do Senado.

Mas, neste domingo, Lugo voltou atrás, aumentou o tom disse que não reconhece o governo de Federico Franco e que não deve, portanto, aceitar o pedido do novo presidente para ajudá-lo na tarefa de explicar a mudança de governo a países vizinhos.

Isolamento

O analista político José Carlos Rodríguez, um consultor em Assunção, disse à Reuters que, apesar do isolamento internacional, o apoio das forças políticas locais a Franco é amplo, mas advertiu que o cenário interno pode mudar.

Franco “tem um apoio político gigantesco, mas é conjuntural e não sabemos quanto tempo vai durar”, disse.

O novo governo de um dos países mais pobres da América do Sul está isolado regionalmente, depois que Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Peru e Uruguai retiraram ou chamaram para consultas seus embaixadores em Assunção.

A pressão da região é bastante perigosa para a pobre economia do Paraguai, que depende dos portos de seus vizinhos Argentina, Brasil e Uruguai para o transporte e o abastecimento, além das exportações.

O governo brasileiro disse que não tomará medidas que “afetem o povo irmão paraguaio”.

O Uruguai também afirmou que não adotará sanções econômicas.

A Venezuela anunciou a interrupção do envio de petróleo ao Paraguai, mas o presidente da estatal paraguaia Petropar garantiu o abastecimento no país, um importador.

O novo chanceler paraguaio, José Félix Fernández Estigarribia, que tentou sem sucesso fazer contato com seus pares da região, disse que nem sequer o diplomata responsável pela embaixada da Argentina em Assunção o atendeu pelo telefone.

“Telefonei ao encarregado de negócios da Argentina e eles têm ordens de ainda não atender ao telefone”, disse.

A Alemanha afirmou que a Europa estava seguindo com preocupação os acontecimentos no Paraguai.

Os Estados Unidos, por sua vez, informaram que a sua secretária de Estado, Hillary Clinton, conversou com o chanceler brasileiro, Antonio Patriota, no fim de semana sobre a situação.

“Estamos muito preocupados pela velocidade do processo utilizado para esse impeachment”, disse em entrevista coletiva a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

 

Por G1 – Publicado em 27/06/2012 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s