Após espionagem, Dilma quer que dados sejam armazenados no País

A presidente Dilma Rousseff reagiu pela primeira vez nesta segunda-feira à denúncia de que os Estados Unidos, por meio da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), teria espionado milhões de e-mails e telefonemas de brasileiros. Como medida, a presidente quer, por meio do Marco Civil da Internet, que dados de brasileiros sejam armazenados no País – ao contrário da prática de gigantes da internet, como o Google.

“Vamos dar uma revisada porque uma das questões que devemos observar é onde se armazenam os dados. Porque muitas vezes os dados são armazenado fora do Brasil, principalmente o do Google. Queremos obrigatoriedade de armazenamentos de dados de brasileiros no Brasil. E fazer revisão para ver o que pode garantir melhor a privacidade”, afirmou apresidente a jornalistas na tarde desta segunda-feira.

Dilma afirmou ainda que o governo tomará as medidas investigativas cabíveis para apurar a informação de que empresas de telefonia teriam ajudado os Estados Unidos no processo de espionagem.  “Tomamos providencias para a Polícia Federal e a Anatel investigarem, para saber das condições que dizem respeito a essa informaçãoveiculada pela imprensa de que uma empresa ou empresas de telecomunicações brasileiras participaram de espionagem de dados privados de pessoas e empresas privadasbrasileiras”, disse.

O caso de espionagem foi revelado pelo jornal O Globo, que teve acesso a documentos coletados pelo ex-técnico da Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA), Edward Snowden. Na manhã desta segunda-feira, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse não ter dúvidas de que brasileiros foram vigiados.

De imediato, a diplomacia brasileira reagiu por meio do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, que cobrou explicações do governo americano e afirmou que o Brasil vai atuar junto aos foros multilaterais a respeito.

Hoje, ministra da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti, responsável pela articulaçãopolítica, afirmou que o governo atuará para acelerar a aprovação do marco civil da internet. Para ela, a soberania do País está “em xeque” e é necessário que haja alterações no texto que tramita no Congresso Nacional para que aumente o rigor na questão da segurança.

Segundo a presidente, o caso viola direitos individuais. Mesmo assim, ela ponderou que apesar de não concordar com “interferências dessa ordem” no País, o governo brasileiro acompanha o caso “sem precipitação” e “sem pré-julgamento”.

Na tarde desta segunda-feira, o embaixador americano, Thomas Shannon, apresentou esclarecimentos ao Gabinete de Segurança Institucional, órgão responsável pela inteligência brasileira.

Por Terra – Publicado em 08/07/2013

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