Número de vítimas de crimes digitais cresce em um ano, afirma Fecomércio

Número de pessoas que já sofreram ou conhecem alguém que tenha sido vitima de crime digital passou de 12,7% em 2012 para 17,9% este ano

Pelo menos 17,9% das pessoas já sofreram ou foram vítimas de algum crime digital. Segunda a 5ª edição da pesquisa Comportamento dos Usuários na Internet, o montante é 5,2% maior comparado com dados do ano passado (12,7%). Realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo no Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), em maio, ouvindo mil pessoas em São P{aulo, a pesquisa revela que os homens continuam sendo os mais atingidos, com 20,6% dizendo já ter sido vítima, contra 15,2% das mulheres.

Mesmo com os riscos frequentemente apontados para operações na internet, a pesquisa mostra que, no ano passado, 79,8% dos usuários usavam alguma ferramenta de prevenção e que, neste ano, o número caiu para 65,4%. Entre os entrevistados, 66,6% disseram conhecer a nova lei de crimes cibernéticos e 16,3% acreditam que ela será suficiente. Perguntados sobre conteúdos ilegalmente espalhados pela rede, 65,9% disseram que o material irregular deve ser removido imediatamente, a pedido da vítima, e 34,1% responderam que isso deve ser feito por ordem judicial.

Ainda de acordo com os resultados da pesquisa, 49,8% dos usuários acreditam que as empresas usam seus dados pessoais ou os compartilham com outras empresas sem autorização e 72,3% não confiam na forma como essas informações são armazenadas. Mesmo assim, 87,8% disseram que os sites deveriam armazenar os dados para o caso de serem necessárias futuras investigações de crimes eletrônicos. Quando questionados sobre compras na internet, 55,9% confirmaram que fazem. Entre os que não fazem, o principal fator que interfere é o receio de fraudes (32,9%).

Uma das questões novas abordadas pela pesquisa mostrou que 48,7% dos internautas usam seus dispositivos pessoais no ambiente de trabalho, sendo que 29,7% levam dados ou informações da empresa em seus aparelhos. A maioria (86,4%) disse ter medo de fraudes ou ataque de hackers (especialistas em informática capazes de modificar programas e redes de computadores) Mesmo assim, 59,7% dos entrevistados costumam baixar aplicativos nos seus dispositivos.

Segundo a economista Kelly Carvalho, da Fecomercio, o crescimento do número de pessoas que sofreram algum tipo de crime eletrônico preocupa, porque o tema está em evidência com a discussão sobre inovações nas formas de ataque e de ferramentas para evitar as fraudes. “Até se tornarem vítimas, as pessoas pensam que estão protegidas e deixam de tomar alguns cuidados e usar ferramentas de proteção. Publicar fotos e divulgar dados pessoais, nome completo, nome da empresa onde trabalha nas redes sociais, por exemplo, é muito perigoso, assim como senhas de fácil acesso, fazer check-in no local onde estão.”

Kelly explicou que, apesar de todas as recomendações, as pessoas têm se descuidado da segurança na internet justamente por não ter sofrido nenhum tipo de crime. “Por isso, as pessoas esquecem de atualizar seu navegador, o antivírus. Até que ela faz uma compra pela internet e tem seu cartão clonado, ou seu dinheiro desviado no meio dessas transações. É preciso estar atento porque os hackers estão 24 horas procurando formas de cometer crimes”, alertou.

A economista chamou a atenção para o expressivo número de pessoas que caem no golpe dos e-mails com links maliciosos. Para ela, apesar de o truque ser antigo, ainda há pessoas que acreditam e, mesmo com os frequentes avisos, acabam clicando nos links suspeitos ou deixando dados armazenados em sites. “Por isso, a prática desse crime vem crescendo – pela falta de atenção das pessoas, pela falta de conhecimento de que aquilo, de fato, é um crime”, disse Kelly, ao lembrar que existem também os que atualizam as ferramentas de prevenção, mas se esquecem de que é preciso ter atitudes seguras.

Lei falha no combate aos crimes digitais
A lei que prevê penas contra os crimes digitais, apelidada de “Lei Carolina Dieckmann”, ainda não tem êxito em sua atuação e poderia ser mais bem elaborada para de fato combater os delitos, na avaliação da procuradora da República, Janice Ascari, e do jurista e cientista criminal, Luiz Flávio Gomes, durante o primeiro dia do V Congresso de Crimes Eletrônicos e Formas de Proteção, realizado pela FecomercioSP.

A nova lei 12.737/2012 está em vigor desde abril deste ano. Para apenas 16,3% dos entrevistados pela quinta edição da pesquisa O Comportamento dos Usuários na Internet, as normas serão suficientes no combate aos delitos virtuais.

Para a procuradora Janice Ascari, o tom de urgência para aprovação do então projeto de lei prejudicou o resultado das normas contra crimes digitais.

“A discussão no Congresso Nacional deixou de ser feita. Esse projeto estava em andamento, mas quando estourou o fato com a atriz Carolina Dieckmann, foi dado um regime de tramitação de urgência, sem se realizar maiores reflexões”, indica. De acordo com Janice, o resultado desse processo é uma lei que “tipifica uma pequena espécie de crime e tipifica mal”. A procuradora ainda complementa. “A lei poderia ser melhor pensada, como está sendo feito agora com a PL 236/2012, que faz parte da Reforma do Código Penal e esse projeto sim, prevê crimes exclusivamente feitos pela internet”, assinalou.

Na opinião do jurista Luiz Flávio Gomes, a lei contra delitos digitais é insuficiente para combater os crimes eletrônicos. “Não precisa ser jurista para saber que uma reforma penal não traz nenhum benefício em termos de redução de crimes. Não interessa se a lei é branda ou dura, nenhuma diminui crimes”, afirma Gomes.

De acordo com ele, há mais de 100 pontos na nova lei com problemas. “É impossível legislar com esses detalhes todos”, indica. O jurista cita como exemplo o trecho em que a norma indica que a polícia deve se preparar para combater esse tipo de crime. “A mesma lei já admite que a polícia ainda vai se preparar. A lei vai dar a pena e, quando a polícia se preparar, as coisas funcionam”, afirmou. Outro ponto levantado pelo jurista diz respeito ao nível das penalizações, que são consideradas brandas por ele. “Se o problema é tão grave, por que a pena não passa de um ano?”, indica, além de criticar o lento processo de julgamento dos casos.

Apesar do cenário apontado pelos especialistas, o vice-presidente do Conselho de Tecnologia da Informação (TI), Rony Vainzof, acredita ser positiva a existência da lei contra os crimes digitais ante a inexistência de qualquer norma nesse âmbito.

 

Por IDG Now! – Publicado em 13/08/2013

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